Arquivo do mês: fevereiro 2015

Trote

Uma das minhas diversões favoritas quando tinha uns 16, 17 anos era passar trotes para garotos interessantes (ou nem tanto assim). Juntava-me a uma amiga e ficávamos tardes e mais tardes jogando conversa fora com os moços. Inventávamos histórias, nomes, situações. Era divertido. Era sensual. Quase nunca era inocente.

Depois de um tempo eu já estava tão craque que era difícil o rapaz não cair na minha lábia. E não, não serei modesta. Foi em uma dessas paqueras por telefone que eu conheci o Tony. Ele era amigo do namorado de uma amiga. Nem lembro o porquê de começarmos a conversar, só sei que era bom. Ele tinha uma voz cheia, segura e era muito divertido. Tinha certeza que ele era bonito. Já ele não tinha tanta certeza assim e me pediu uma foto. Eu enviei. Ficamos sem nos falar por dias…

Até que chegou um final de semana de verão e a minha amiga e o namorado decidiram que todos deveriam ir à praia. Eu topei. Ele também. Como eu já imaginava, ele era lindo. LINDO. E charmoso. MUITO. Considerando o gelo que ele me deu depois que eu enviei a foto, passei as três horas seguintes sendo apenas a amiga divertida e inteligente. Rimos muito, brincamos bastante, conversamos sobre um zilhão de coisas. Ficamos bem à vontade um com o outro mas não notei qualquer tipo de flerte da parte dele. Ok. Não se pode ganhar todas, certo?

Chegando à praia, já era tarde e nós fomos a pracinha central olhar o movimento. Como era um feriadão, vários amigos também estavam por lá. Um deles me ligou. Tony era lindo mas não estava me dando bola, o amigo sim. Disse que iria dar uma volta e sumi pelo resto da noite.

Na manhã seguinte Tony mal falou comigo durante o café da manhã. Achei super esquisito. Decidi voltar de carona com o paquera e no meio do caminho minha amiga me ligou. Contou que Tony havia me esperado a noite inteira. “Ele disse que estava doido para te beijar e tu sumiu! Sumiu!”. Eu sumi. E quis sumir de novo quando ela me disse isso.

Tony e eu nunca mais nos falamos. Hoje em dia prefiro acreditar que ele me passou um trote. Dói menos.