Arquivo do mês: dezembro 2013

Anônima

– Oi, preciso falar com você, me liga.

Ela leu a mensagem em seu celular e franziu o cenho. Não havia assinatura, o número também não estava salvo na agenda. Perguntou quem era e teve como resposta a mesma mensagem anterior. Arredia, decidiu que não ligaria para aquele número. Pensou que provavelmente era um ex-namorado ou alguma namorada ciumenta. A segunda opção lhe pareceu mais acertada.

No dia seguinte, nova mensagem. “Esse número está no meu celular, queria saber quem é”. “O seu número não está no meu, também gostaria de saber quem é…”, respondeu.

Por dois dias o número ligou e ela não atendeu. No terceiro dia deixou o telefone tocar algumas vezes:

-Alô.

-Oi, quem é? (voz masculina)

-Com quem você deseja falar?

-Bom, é que esse número estava registrado no meu celular, queria saber de quem é.

-Imagino que tenha sido um engano, não reconheço sua voz. Nem seu número.

-Eu também não reconheço a sua, mas cada vez mais tenho vontade de conhecer a dona. (voz sedutora)

-Você é realmente uma pessoa curiosa! (risos)

-Não costumo ser tão insistente, mas você me deixou curioso. Qual o seu nome?

-Desculpe, prefiro continuar anônima. Adeus!

E ela desligou. O número continuou a ligar por mais alguns dias, depois desistiu. Às vezes ela se pergunta porque não deu uma chance ao desconhecido, a voz era bonita, ele podia ser legal, interessante, quem sabe? Acaba se convencendo de que ele era irritantemente curioso. E ela não.

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