Primeiros passos

Ele era o menino mais bonito do bairro. O mais bonito que eu já havia visto. Não só por sua beleza física, mas por uma masculinidade intensa que ele exalava por todos os poros. Tinha jeito de homem que pegava de jeito. Talvez por isso minha vontade de pegá-lo crescia a cada encontro. Mas ele não fazia ideia de quem era a menina raquítica e descabelada que o admirava. Eu era feia e desajeitada, inteligente e cínica também. Mas pouco atraente.

Depois de muita observação, percebi que o físico não importava para aquele rapaz lindo e engraçado, que possuía no currículo todos os tipos de garotas. Ele era um predador e isso me atraía muito mais do que me causava repulsa. E eu só tinha 14 anos…

Possuíamos muito amigos em comum, e, na época, pedir para alguém intermediar a paquera era o caminho mais fácil. Porém, apesar de saber que a tática funcionaria, acreditava que isso não era suficiente para impressionar o rapaz. E eu queria ser marcante. Não importava a forma.

Descobri onde ele morava e decidi fazer uma visita. Ele me atendeu e de cara perguntou o que eu queria. Mudei de assunto e nos pusemos a conversar. Conquistar pelo papo sempre foi o meu forte. Ainda não sabia o que significava a palavra flertar, mas instigar os instintos daquele garoto com palavras me pareceu extremamente divertido. Muitas risadas, olhares e toques casuais, ele voltou ao início e perguntou novamente o que eu queria:

-Eu quero você.

(silêncio)

-O quê?

_ Eu quero você.

-Uau! (olhos arregalados)

(silêncio)

-Posso te levar em casa? Ele perguntou, 30 segundos depois.

-Claro!

(…)

-Ei, minha casa é pra lá!

-Eu sei. Vem cá!

Então ele me beijou. E eu senti no beijo que ele me queria tanto quanto eu o queria. Engraçado que isso faz muito tempo, mas ainda hoje, quando fecho os olhos, consigo lembrar do meu coração acelerado, da rua escura, da língua desbravadora dele, das mãos firmes e experientes que me guiavam e de toda a vontade que eu sentia de me perder nos braços daquele moço viril. Os beijos foram suficientes para me deixar em chamas. Eu estava satisfeita. E orgulhosa. Nascia uma acosadora.

 

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